O Executivo local espera, em breve, cumprir mais uma das promessas de campanha eleitoral. Desta vez, o alvo são os servidores de nível médio da Secretaria de Saúde. Nesta quarta-feira (4/3), o Palácio do Buriti encaminhou um projeto de lei (PL) para a Câmara Legislativa que prevê o pagamento da última parcela da dívida do GDF referente à Gratificação de Atividade Técnico-Administrativa (Gata). O texto da proposta foi lido em Plenário na sessão desta quarta-feira (4/3) e tem previsão para ser votado na próxima semana.
Caso vire lei, a norma deve gerar um impacto de R$ 140 milhões aos cofres públicos, quantia prevista na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020. O Executivo pretende pagar a dívida — acumulada desde 2009 e com 30% em aberto desde 2015 — em três parcelas, programadas para 1º de abril, 1º de novembro e 1º de julho de 2021. Em seguida, a gratificação será extinta.
Os 30% recaem sobre o vencimento básico dos técnicos e auxiliares em saúde, cujos salários variam entre R$ 1,4 mil e R$ 4,9 mil. A medida beneficia servidores ativos e inativos. De acordo com o texto da lei, se houver disponibilidade orçamentária e financeira, além da ausência de comprometimento dos limites de despesa pessoal e das metas fiscais, a gratificação em atraso pode ser quitada em uma parcela.
Na justificativa para apreciação do projeto, o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, destacou que a extinção da dívida não vai gerar acréscimos à remuneração dos servidores e que há estimativa de incremento de R$ 51,9 milhões ao orçamento de 2020. Nos anos seguintes, esse valor deve chegar a R$ 178 milhões.
O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou que o pagamento poderá ser feito neste ano devido à disponibilidade financeira, o que não existiu em 2019. “Chegamos a um momento adequado. Essa é uma categoria prejudicada há muitos anos. Queria ter pagado tudo de uma vez, mas, para cumprir uma questão orçamentária, tive de fazer de forma parcelada”, explicou. O chefe do Executivo acrescentou que o problema acumula diversas ações judiciais e, uma vez resolvido, poderá gerar menos gastos.
Parcelamento
O secretário de Relações Parlamentares, Bispo Renato, acredita que o assunto deve entrar em pauta na Câmara o quanto antes. Caso isso não ocorra, o pagamento da primeira parcela poderá ficar comprometido. “Estive em contato com a base e com a oposição e, até agora, praticamente todos se mostraram favoráveis. Eles afirmaram que querem analisar o projeto melhor”, comentou. “Sempre haverá insatisfação, mas acho que (a categoria) se sentirá contemplada pelo projeto.”
Diante desse cenário, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde/DF) convocou uma assembleia geral para a próxima terça-feira, às 10h. “Passamos por um grande calote no governo (Rodrigo) Rollemberg. Visto que essa luta se arrasta há 10 anos, a categoria sempre contou com a quitação integral da terceira parcela da Gata; por isso, está surpresa com esse projeto enviado”, disse Marli Rodrigues, presidente da entidade.
No caso do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate/DF), a novidade desagradou a associação. O vice-presidente, Nilton Batista, revela que a expectativa era de que o pagamento ocorresse em parcela única. “Essa proposta foge do que o governador afirmou em campanha. Esperávamos que o pagamento fosse feito integralmente. É uma injustiça cometida contra funcionários de nível médio, pois deixará a categoria esperar por dois anos. E, desde 2015, há passivos não incorporados, mas não se fala sobre retroativo”, criticou.
Memória
Dados
Economia prevista para 2020
Cronologia
Sancionada a Lei Distrital nº 329, que cria a Gratificação de Atividades, atribuída a servidores da assistência pública à saúde, além de outras carreiras. O benefício incide sobre 30% do vencimento básico dos funcionários do GDF. No mês seguinte, a Gratificação de Atividades tem o percentual elevado para 80%.


