Técnicos, auxiliares em enfermagem e enfermeiros realizaram nesta terça-feira (12), um ato que lembrou os profissionais mortos durante o combate da Covid-19. A manifestação, ocorrida em frente ao Museu da República, de forma silenciosa, ainda destacou as principais lutas da enfermagem por melhores condições de trabalho, aprovação da jornada de 30 horas semanais e piso salarial. A data também comemora o início da semana da enfermagem com o dia do enfermeiro. 

A concentração, que teve início às 17:30, contou com a participação de entidades representativas da enfermagem, como o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF), Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF), do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF) e da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE).

Posicionados a uma distância de dois metros uns dos outros, os profissionais seguravam placas com nomes dos colegas mortos no enfrentamento à Covid-19 e acenderam velas, simbolizando uma vigília. Enquanto os nomes dos trabalhadores falecidos eram projetados no Museu da República, os participantes repetiam os nomes e, em representação, se deitavam ao chão, sobre uma lona preta, com pernas fechadas e braços abertos em alusão a uma cruz. De acordo com dados do Observatório da Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), até esta terça (12), 109 profissionais de enfermagem perderam a vida para o coronavírus e 13.734 acabaram contaminados.

A diretora do Sindate, técnica em enfermagem e enfermeira, Isa Leal, enfatiza as condições de trabalho da categoria.

“Somos os profissionais na linha de frente da Covid-19, atuando no enfrentamento dessa pandemia e temos um papel preponderante neste momento, como também em outros”, afirma a diretora do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem (Sindate-DF) Isa Leal sobre a importância do trabalho da enfermagem para a sociedade. “Nossos colegas estão morrendo. Recebemos, assistimos e cuidamos 24h, estando expostos, sem nenhum tipo de segurança e contrapartida de valorização da profissão. Mais do que palmas, queremos reconhecimento”, enfatiza Leal, destacando a magnitude do papel dos auxiliares e técnicos em enfermagem. 

Valorização

Além dos desafios da rotina, os profissionais de enfermagem batalham para obter a valorização necessária. O diretor do Sindate-DF Newton Batista argumenta que esse reconhecimento deve se concretizar em ações, já que os trabalhadores não possuem um piso salarial e sofrem constantemente com a desvalorização. Batista destaca a lei das 30 horas, que há 19 anos tramita no Congresso Nacional. “Nós agradecemos as homenagens que estamos recebendo, mas mais do que isso, precisamos de valorização, respeito e principalmente reconhecimento por parte daqueles que legislam”, conclui.

Newton Batista destaca a importância do reconhecimento da enfermagem por meio da aprovação de pautas em tramitação no Congresso.

O diretor, também profissional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) destaca a importante atuação dos trabalhadores que constantemente estão expostos ao risco de contaminação. “Infelizmente, não temos a retaguarda, por acabar buscando pacientes em diversos locais e não possuímos teste para comprovar os casos de Covid-19. Eles também precisam ser valorizados. Hoje, estou representando os profissionais de macacão azul”, enfatiza.

Manifestação

O ato reforçou a manifestação ocorrida de forma silenciosa no dia 1º de maio na Praça dos Três Poderes, quando ativistas insultaram profissionais da saúde que protestavam em memória aos colegas que perderam a vida na linha de frente do combate ao novo coronavírus. O diretor do Sindate Newton Batista que participava do ato, partiu em defesa para que não houvessem agressões físicas, já que os profissionais de enfermagem são estatísticas no número de agressões verbais no país.

Profissionais deitavam ao chão, sobre uma lona preta, com pernas fechadas e braços abertos em alusão a uma cruz.

Carta conjunta aos parlamentares

As entidades representativas da enfermagem elaboraram uma carta que será encaminhada à Câmara dos Deputados. O documento aborda sobre a realidade da enfermagem e as dificuldades enfrentadas desde o início do novo coronavírus. A carta também elenca algumas pautas pelas quais a enfermagem espera há anos, entre elas o projeto de lei que define um piso salarial nacional para todos esses profissionais, o projeto de lei das 30 horas semanais, além do projeto que regulamenta a aposentadoria especial com 25 anos de trabalho insalubre.