Samara Schwingel/Ana Isabel Mansur

Com a proximidade da vacinação contra covid-19 para pessoas com comorbidades, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) deu início ao cadastramento desse público — estimado em 513 mil habitantes, considerados apenas aqueles com menos de 60 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo do registro é confirmar quantos brasilienses fazem parte do novo público-alvo da campanha. As enfermidades elegíveis constam no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 (PNO), do Ministério da Saúde. No entanto, a capital federal incluiu outras categorias na lista, como grávidas e puérperas.

Indivíduos com algum diagnóstico incluso na relação devem se cadastrar pelo site vacina.saude.df.gov.br. O agendamento ocorrerá gradativamente, de acordo com o número de doses disponíveis e enviadas ao DF pelo governo federal. A subsecretária de Planejamento à Saúde, Christiane Braga, afirma que só quem fizer o registro poderá receber as doses. “A inscrição não tem data para acabar, mas, quanto antes a pessoa fizer, melhor para agilizar os próximos passos”, ressaltou.

Caso o paciente faça tratamento contra a doença crônica na rede pública de saúde, o sistema da SES-DF confirmará essa informação, e será possível imprimir o comprovante de agendamento. Se não for o caso, a pessoa deverá levar, no dia da vacinação, além do documento emitido após o término da inscrição, um relatório médico que comprove a comorbidade indicada. Embora o PNO preveja que a vacinação ocorra por meio da apresentação de qualquer comprovante, como exames ou receitas, a secretaria distrital aceitará apenas laudos.

O único público que deve ter conduta diferenciada são as grávidas. Com ou sem comorbidades e sendo atendidas ou não na rede pública, elas devem se cadastrar e apresentar, no momento da vacinação, um relatório médico comprovando que a gestante recebeu todas as orientações de saúde e que não tem qualquer contraindicação.

Assim como ocorre com os outros grupos, a vacinação de pessoas com comorbidades avançará de acordo com as doses recebidas pela Secretaria de Saúde, não sendo possível escolher imunizantes de preferência. Werciley Júnior, infectologista-chefe do Hospital Santa Lúcia, avalia que não há hierarquia de gravidade entre as doenças do plano de vacinação: “Todas merecem igual atenção, nenhuma é pior do que outra”, enfatizou. “Essas são enfermidades associadas, normalmente crônicas, que o paciente tem há algum tempo e com a qual convivem. Nem todas puderam entrar na prioridade da vacinação. As listadas são aquelas que podem agravar um quadro da covid-19”, explicou Werciley.

Confira todas as condições e categorias previstas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal para vacinação contra a covid-19:

  1. Cirrose hepática
  2. Síndrome de Down
  3. Doença renal crônica
  4. Insuficiência cardíaca
  5. Mulheres em puerpério — até dois meses após o parto
  6. Arritmias cardíacas — alteração no ritmo dos batimentos cardíacos
  7. Doença cerebrovascular — inclui acidente vascular cerebral (AVC) e demência vascular
  8. Valvopatias — problemas nas quatro válvulas cardíacas que impedem o retorno do sangue ao coração
  9. Síndromes coronarianas —presentes nas pessoas com suscetibilidade às doenças ou que tiveram infarto
  10. Hipertensão arterial resistente (HAR) — o paciente tem a pressão arterial controlada por diferentes tipos de medicação
  11. Cor pulmonale e hipertensão pulmonar — eleva a pressão cardíaca por alteração no pulmão, prejudicando a respiração do indivíduo
  12. Cardiopatia hipertensiva — causada pela alteração da função cardíaca devido ao aumento da pressão, levando ao inchaço do coração
  13. Diabetes mellitus — inclui os tipos 1, aquele em que a pessoa nasce com a condição, e tipo 2, quando a enfermidade é adquirida ao longo da vida
  14. Hipertensão arterial estágio 3 — condição de hipertensão arterial dividida em estágios crescentes de gravidade, conforme faixa de pressão cardíaca
  15. Doenças da aorta, dos grandes vasos e fístulas arteriovenosas — envolvem pessoas sob tratamento de diálise e doenças dissecantes, como aneurisma da aorta
  16. Próteses valvares e dispositivos cardíacos — diz respeito a indivíduos submetidos a cirurgias no coração, como para inserção de marcapasso e troca de válvulas
  17. Miocardiopatias e pericardiopatias — a primeira é a alteração do músculo cardíaco; a segunda envolve problemas na membrana que cobre o coração, como inflamações
  18. Obesidade mórbida — pessoas com índice de massa corpórea (IMC) superior a 40 ou pessoas com IMC maior que 35 e disfunções orgânicas, como obesidade e hipertensão
  19. Hipertensão arterial estágios 1 e 2, com LOA (lesão de órgãos alvo) ou comorbidade — ocorre quando a alteração na pressão cardíaca do paciente, mesmo que não seja grave, altera a função de outro órgão
  20. Grávidas com e sem comorbidades — a adaptação do corpo da mulher conforme o crescimento do feto leva à baixa imunidade do organismo, condição que permanece até três meses depois do nascimento
  21. Cardiopatia congênita no adulto — a pessoa nasce com doenças que alteram a função cardíaca, como Tetralogia de Fallot, insuficiência cardíaca, arritmias e comprometimento no miocárdio, o músculo do coração
  22. Pneumopatias crônicas graves — incluem asma e bronquite em condições graves; doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), inflamação causada pela limitação do fluxo de ar por inalação de toxinas, como aquelas presentes na fumaça do cigarro; além de enfisema e fibrose pulmonar
  23. Anemia falciforme — tipo de anemia em que as hemácias do sangue têm forma de foice e é uma doença que atinge, majoritariamente, a população negra; as hemácias em formato diferenciado prejudicam a circulação do sangue, levando a tromboses no rim, pulmão e baço, entre outros órgãos
  24. Imunossuprimidos — inclui indivíduos congenitamente com baixa produção de anticorpos, como os transplantados de órgão sólido ou de medula óssea; pessoas com HIV; doenças reumáticas com uso de corticoides; pessoas em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses; e neoplasias hematológicas, causadas pela multiplicação acelerada de células sanguíneas, como leucemia.